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NÃO EXISTE NADA “FORA DA CAIXA”: O SEGREDO DA CO-CRIAÇÃO

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Não. Você não pode pensar “Fora da Caixa.” Ninguém pode. O que acontece geralmente é que as pessoas nem exploram as suas próprias caixas. E quando fazem um pouco de exploração, pensam que estão saindo das caixas… Mas não, não estão não!

De fato, não há nada lá “fora”: nós não podemos sair “fora da caixa.” Hans-Georg Gadamer apresenta o conceito de “espelho distorcido” que oferece um ótimo argumento para discutir a relação entre as nossas mentes e os desafios da co-criação (Gadamer, 2004, p. 278):

The self-awareness of the individual is only a flickering in the closed circuits of historical life. That is why the prejudices of the individual, far more than his judgments, constitute the historical reality of his being. (Itálicos são do texto original)

Seguindo essa lógica, dá para dizer que cada um de nós entende a si mesmo e aos outros partindo de um ponto histórico específico e particular: a caixa. Todas as experiências que nós temos durante a vida deixam marcas indeléveis em nossas histórias particulares e em nossa mente… Isso cria uma “caixa” mental. E, é a ela que damos o nome de preconceito. É a partir dessa caixa, de nossospreconceitos, que entendemos a nós mesmos e ao mundo que nos cerca.

Fora da Caixa?

O que se espera que aconteça quando somos chamados a “pensar fora da caixa”? Já pensou nisso? Uma boa resposta seria: criar novos conhecimentos! Ou seja, espera-se que as pessoas envolvidas criem novos caminhos para resolver problemas ou vencer desafios que seriam impossíveis de fazer com base em velhas perspectivas. Esses tipos de objetivos só podem ser atingidos com a criação de novos conhecimentos. Em outras palavras, eles só podem ser atingidos a partir de um “aumento do potencial de agir.” Isto é, justamente, a definição filosófica para a “criação de conhecimento.”

E como é que se criam novos conhecimentos? Para entender como isso acontece, é necessário perceber que o conhecimento

is created in the spiral that goes through seemingly antithetical concepts such as order and chaos, micro and macro, part and whole, mind and body, tacit and explicit, self and other, deduction and induction, and creativity and efficiency. (Nonaka & Toyama, 2003, p. 02)

O conhecimento é criado pela fricção. Não é “ficção;” é fricção abrasiva! Sendo assim, você só consegue criar novos conhecimentos quando se conecta com pessoas diferentes de você. Nem precisa ser pessoalmente, pode ser através de leituras, vídeos, etc. Mas a melhor forma é mesmo o bom e velho contato social face à face. Você tem que realmente se conectar, tem que construir uma ponte sólida entre você e o diferente.

Pontes entre os diferentes

Ok. Você nunca vai conseguir pensar fora da caixa. Mas você pode explorá-la melhor e, talvez, consiga até expandí-la. De qualquer forma, para fazer essas coisas, existe uma só alternativa: conectar caixas. Caixas diferentes da sua… Existe uma metáfora bela e precisa a respeito dessa conexão: construir pontes entre os diferentes. Ela é baseada no conceito de hermeneutical arc (Ricoeur, 2007, p. 121), essa metáfora generativa é inspirada pelo filósofo francês Paul Ricoeur e na sua insistência

on building bridges between concepts that are otherwise seemingly incompatible and between which there might be controversy. (Jahnke, 2010, p. 106)

Então, não existe o fora da caixa da mesma forma que não existe a criação solitáriade conhecimento. Para poder criar algo realmente novo, você precisa conectar a sua caixa a outras caixas. Mas não a qualquer tipo de caixa, é obrigatório que elas sejam bem diferentes da sua.

E nisso reside o desafio e o segredo da co-criação. Não adianta de nada fazer uma “sessão de co-criação” se todos os participantes forem parecidos. Essa seria uma “sessão de confirmação”: uma sessão que confirma as crenças de como as coisas são e como devem ser feitas. Mas, dificilmente, uma sessão entre iguais irá ampliar a compreensão de como as coisas poderiam ser ou como elas poderiam ser feitas. Simples assim.

A melhor forma de fazer uma sessão de co-criação é quebrando alguns mitos sobre como um grupo inovador deve ser.

A ilustração deste texto foi emprestada da University of Chicago.

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